Horácio Ramasine – Terapeuta Conferencista

Sabedoria contemporânea – artigos

DEPOIS DAS TEMPESTADES…Ou durante?

Depois das grandes tempestades em nossas vidas, às vezes, ao invés da bonança esperada, costumamos fechar a alma para balanço. Os aviões Air Bus que caíram, a viagem final de Michael Jackson, as mortes no Iram, etc. Aí nos fechamos, e, por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo, bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta. E esta porta, símbolo do coração, fica tão trancada, que se nós mesmos não a abrirmos, tornar-se-á quase que intransponível. É como se nossa casa tivesse sido saqueada e o medo de que fosse arrombada de novo não nos deixasse viver sossegado.

Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim… Mas, passar da soleira, quem disse? E ficamos tantas vezes nos perguntando o porquê, de ninguém se aproximar muito de nós, se pensamos numa atitude de bloqueio à verdade, que estamos dando espaço para que todos nos visitem.

Fingimos não enxergar o letreiro de “passagem proibida” ou os cadeados enormes que colocamos nos portões e nos muros que erguemos ao redor de nós, porque é duro admitir que temos medo de mais experiências depois que uma, duas, três ou mil delas não deram certo conosco ou com os outros, conhecidos ou não! Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio e elas são cada vez em número menor, as não tão persistentes se afastam, com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas e as ponhamos para correr!

Assim acabamos, por comodismo, ficando com as pessoas menos perigosas; com aquelas com quem sabemos que nunca chegaremos a ter envolvimento maior, até porque sua percepção não é tão aguçada para penetrar no nosso interior. Ficamos com aquelas com quem temos menos afinidade e pouca cumplicidade, principalmente aquela que vem do fundo da alma, até porque, não queremos que ninguém invada a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos, onde guardamos as mágoas, os ódios não passados a limpo e os amores mal sucedidos e sofremos, e sofremos…

Não queremos saber de quem nos leia pensamentos e não pretendemos nos prender a nada, embora digamos sempre o contrário. Embora saibamos que a falta das amarras num porto onde poderemos atracar quando estamos à deriva, pode constituir uma bela teoria de liberdade, isto, porém, não nos gratifica, pois o ser humano – ser gregário, não nasceu para ficar só.

Nós, hoje, bem ou mal, podemos escolher nossos amores e amigos. E que possamos escolher os melhores, e não os mais cômodos. E que possamos, também, ter alguns inimigos e, entre os nossos conhecidos, pessoas incompatíveis conosco, porque são eles que nos ajudam a superar os nossos limites e nos botam para frente, nem que seja para que lhes mostremos do que e o quanto somos capazes.

Precisamos ter histórias para contar, sejam elas com finais tristes ou felizes. Precisamos passar por experiências que nem sempre são gratificantes, pois uma existência passada em brancas nuvens, é uma existência sem frutos. Um dia, talvez, venhamos a entender melhor os mistérios da vida e que, para chegarmos a um determinado ponto, muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos.

Talvez entendamos que precisamos nos purificar sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos e receber alguma recompensa. Algumas doutrinas religiosas e filosóficas tentam explicar porque algumas pessoas sofrem e outras são poupadas e porque alguns de nós encontramos nossas metades e outros tantos passem a vida inteira a procurá-las? Mas são explicações que talvez nós leigos, não consigamos facilmente entender, e sofremos… sofremos…

A única coisa que podemos arriscar, é que nada acontece por acaso! Ou será que acontece? Talvez, quando sofremos, estejamos passando por um processo de purificação que nunca será entendido ou aceito por nós enquanto estivermos vivendo a experiência. Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa,estejamos nos informando; talvez quando encontramos tanta gente incompatível conosco é porque, de alguma maneira, somos ou fomos as pessoas determinadas a surgir em suas vidas, seja para suportá-la, ajudá-las ou para que, através delas, aprendamos alguma lição importante: da serenidade à perseverança, da paciência à fé.

Mas, por mais que apanhemos que nos escondamos para fugirmos da vida, de nós mesmos, dos machucados e rejeições, tudo passa. O desespero nunca foi solução para nada, pois, afinal, não há bem que nunca acabe e nem mal que sempre dure. A vida sempre seguirá dando voltas. Tomara que saibamos aproveitar as ascensões para levantar quem estiver próximo de nós e as quedas para aprendermos a ser humildes… Ah! Se ainda, ao olhar-se no espelho, vê apenas a sua imagem invertida (+- 60 trilhões de células invertidas), faça de seu terapeuta, seu espelho real. Quem sabe ele poderá dividir irmãmente, o fardo que você agora carrega? Conte conosco, conte comigo nessa borrasca!
depressao_02

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: