Horácio Ramasine – Terapeuta Conferencista

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Solte o Tacho!

urso
Certa vez, um urso faminto andava pela floresta em busca de comida.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou uma tacho enorme de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dele, devorando tudo. Enquanto abraçava o tacho, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor que vinha do grande tacho! Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais o tacho encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como algo que queria lhe roubar a comida. Começou, então, a urrar muito alto, e, quanto mais alto rugia, mais apertava o tacho quente contra seu imenso corpo para não “perdê-lo”. Quanto mais o tacho quente o queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. Ele tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar no tacho e, seu imenso corpo, mesmo já morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo a defender a sua comida!

Ao terminar de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos, desesperadamente, certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes e nos aprisionamos à elas. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero, e muitas vezes, pânico e depressão! Nossos transtornos podem começar quase imperceptivelmente! E aí, apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que protegemos, acreditamos e defendemos de maneira radical, instintiva e quase irracional!

Para que as coisas dêem certo em nossa vida, é necessário reconhecermos, em certos momentos cruciais, que nem sempre o que parece a nossa salvação vai nos dar condições de prosseguirmos a nossa caminhada!

Tenhamos a coragem e a visão que o urso não teve, e soltemos o tacho e, caso não consigamos fazê-lo sozinhos, busquemos ajuda psicoterápica! Muita vez, dois carregam mais facilmente um peso excessivo do que um! Quem precisa de ajuda e quem quer ajudar fazem um só gesto: Estendem a mão!

Cumprimentos
Horácio Ramasine

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